Vamos falar sobre Bitcoin?

Tempo de leitura: 09 minutos

Em nosso último artigo, trouxemos conceitos iniciais para que você entenda como funciona a estrutura do universo de Criptoativos. Caso você não tenha visto, recomendamos que faça essa leitura antes, clicando aqui para que consiga aproveitar este conteúdo o máximo possível.

Agora, vamos explorar o mundo do Bitcoin.

Bitcoin
Imagine que exista um software, e dentro dele exista uma rede, e dentro desta rede, tudo é transacionado através de uma moeda específica.

Estes três elementos são chamados de Bitcoin.

Então o Bitcoin é um sistema de pagamentos global que funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana e que não é controlado por nenhuma instituição, mas sim por um projeto (conjunto de leis) criado e inalterável. Este projeto estimula os participantes a trabalharem a favor dele, por meio de incentivos financeiros.

A Moeda
Criptomoedas são 100% digitais e descentralizadas.
A primeira, o BTC, teve seu projeto (Whitepaper – Link para Whitepaper do BTC) criado em 2008 e após um ano de estudos sobre ele, a criptomoeda começou a ganhar corpo de transações. Contudo, a ideia de um mecanismo que diminua o papel do governo e aumente a participação da sociedade na tomada de decisão financeira em transações P2P (Peer-to-Peer, de um ponto a outro), já era bem compreendida desde 1999, por Milton Friedman, ganhador do prêmio Nobel de economia em 1976.

Quanto mais o mercado estuda, mais esse projeto se mostra incrível. Vamos analisar alguns fatores que validam essa afirmação:


100% digital: Não existe BTC físico, e cada unidade possui uma assinatura digital única (espécie de DNA);

Escasso: Existirão apenas 21 milhões de unidades de BTC no mundo, e que serão liberadas até 2140. Depois disso não existirá mais produção de BTC (seria um cheque mate em moedas fiduciárias?);

Deflacionário: A cada 04 anos a oferta de BTC que é dada pela sua rede (Blockchain) para os mineradores (pessoas que usam poder computacional para liberar estes blocos de dados para serem utilizados), é reduzida pela metade. Para deixar mais claro, é como se a cada 04 anos a impressão de novos dólares fosse diminuída pela metade;

Transparente: justamente por estar dentro da Blockchain, onde todas as informações de transação ficam armazenadas em todos os computadores, elas podem ser checadas por você e eu a qualquer momento; A integração de rede faz as validações das transações utilizando todos os dispositivos conectados, a fim de evitar fraudes.

Divisível: Ela tem 08 casas depois da virgula. A menor unidade divisível do BTC é chamada de Satoshi (0,00000001 BTC = 1 Satoshi).

Camadas
Compondo o Bitcoin, existem algumas camadas que surgem para facilitar a maneira como ele é transacionado.

A camada base é a Blockchain. Em cima dela temos a camada chamada de lighting network, uma segunda camada que opera com canais de pagamento, para permitir que usuários enviem e recebam transações mais rápidas e mais baratas. Dentro dessa segunda camada, temos outras vias para transacionar os bitcoins: o termo Liquidy, que funciona como uma segunda via dentro desta segunda camada, fica disponível para as transações de BTC, e é composta por um uma “confederação de empresas” (Binance, Coinbase etc.). Este Liquidy nada mais é que um canal de liquidez de BTC, permitindo a transação mais volumosa de bitcoins, ainda numa maneira mais barata que as anteriores.

Imagine que estas empresas (Binance, Coinbase etc.) são empresas que possuem um dono, ou seja, são centralizadas, porém por atingirem uma escala de transações muito alta, conseguem viabilizar essas transações por um canal que consome menos energia, tornando cada transação mais barata. É como um navio cargueiro que, por trazer vários containers, cobra um frete mais barato.

Como 3ª via nessa segunda camada, temos o RSK (chamado de Bitcoin DeFi), uma plataforma de contratos inteligentes (e descentralizados) para emprestar, pedir empréstimo, negociar e ganhar juros em seus Bitcoins.


De onde surge cada BTC
Imagine que a rede do Bitcoin possua vários BTC armazenados em um bloco de dados, o qual ninguém consegue acessar, por este bloco de dados estar protegido pela rede.
Para você conseguir acessar esses BTC, a rede (o Blockchain) lança uma equação matemática difícil de ser resolvida. Cada nova equação (ou seja, cada novo bloco de dados contendo vários BTC’s nele) é lançada a cada 10 minutos.

Essa equação matemática difícil é o que o mercado chama de bloco. Neste ponto os mineradores, ou seja, quem oferece poder computacional para resolver essa equação matemática, competem entre eles para ter acesso e desbloquear este bloco para si, o mais rápido possível. Logo, o BTC (token = moeda que é aceita dentro da rede Bitcoin) é uma recompensa que os mineradores recebem dessa rede por estarem oferecendo poder computacional para desbloquear esse bloco.
A Blockchain Bitcoin é composta por estes blocos que os mineradores desconectaram da base (ou seja, desbloquearam) e que agora podem ser transacionados entre as pessoas.

Com estas informações, conseguimos chegar a algumas conclusões prévias:

1º – Quanto mais computadores, maior a competição, portanto maior a dificuldade de minerar;
2º –  Quanto mais mineradores maior a segurança, pois há mais verificações de que esse bloco foi desbloqueado e está disponível na rede (na Blockchain do Bitcoin);
3º –  Então um novo bloco só é conectado à rede de blocos disponíveis, depois que estes mineradores conseguem achar a resolução matemática para juntar esse bloco na corrente (Blockchain = bloco na corrente, numa tradução livre).
 
O Bitcoin no mundo e suas oscilações de preço
Na China tivemos o desligamento de 90% da rede de mineradores em 2021. O principal motivo foi o lançamento da moeda digital centralizada pelo banco chinês – eles quiseram desincentivar as demais criptomoedas e permitir apenas a circulação da moeda digital criada pelo próprio governo dentro do território nacional.

Logo, houve 90% de perda de poder computacional (mão de obra) para resolução das equações matemáticas e liberação de novos blocos e, com isso, os blocos que eram minerados de uma maneira rápida (a cada 10 minutos) acabaram por serem minerados de forma mais lenta. Em um cenário de incerteza econômica global, é comum que investidores tentem vender os ativos que perdem liquidez – como acontece no mercado especulativo de ações hoje.

Também é importante entendermos que, os mineradores tiveram que vender alguns de seus BTC’s para ter liquidez em capital e poderem se mudar da China, para continuar minerando em outros países. Estes dois fatores (a ansiedade e a maior oferta) fizeram o preço do BTC despencar em 2021.

Claro que se você entende isso, você utiliza como uma oportunidade de capitalização.
Neste grande momento de queda, os investidores que possuíam perfil aderente à essa recomendação e são acompanhados pela nossa equipe de especialistas, foram orientados a utilizar parte de suas Reservas de Valor (https://www.instagram.com/p/CYXPj4FueeO/) para alavancar seus ganhos em alguns meses, uma vez que já havíamos entendido o Smart Money (o fluxo que esse capital tomaria) deste momento.
 
Pensando no médio prazo
Quando olhamos para o universo de criptomoedas, esse movimento da China alavancou uma grande vantagem, que é a descentralização da mineração, e incentivando outros países a desenvolverem políticas públicas baseadas em opções de energias renováveis e sustentáveis, como o centro de mineração instalado na base de um vulcão em El Salvador, ou mesmo as placas de energias solares nos EUA e Australia.
 
E quanto aos ganhos destes mineradores?
Os mineradores ganham da rede por estarem oferecendo poder computacional.
Já prevendo a grande adoção de mineradores à rede, o projeto do Bitcoin elaborou uma estrutura de recompensas que, a cada quatro anos, libera o Halving, a linha laranja que podemos observar na imagem abaixo:
 

Halving é a estratégia criada por Satoshi para deflacionar a moeda, ou seja, a deflação é causada a cada quatro anos, quando a recompensa dos mineradores cai pela metade (movimento contrário a inflação criada pelos Bancos Centrais ao imprimir papel moeda).
Em 2008, quando a rede foi criada, ela recompensava os mineradores em 50 BTC por bloco minerado. Depois de quatro anos, 25 por bloco minerado. Em 2016 12,5 e hoje estamos na casa dos 6,25 por bloco. Em 2024 será a metade, ou seja, o projeto do Bitcoin garante a deflação.
A oferta de BTC cai pela metade a cada ciclo (quatro anos), enquanto a demanda dela é constante (ou ainda maior que a oferta): o valor dela só aumenta com o passar do tempo.
 
Precificação do BTC
Vamos explorar algumas variáveis para que você perceba o movimento de valorização desta criptomoeda.
(I) Oferta & Demanda: Acabamos de falar um pouco sobre isso, quanto maior uma demanda em cima de uma oferta, menor a quantidade de BTC’s disponíveis na rede, gerando aumento de preço gradual e constante (tendencia de alta constante);
(II) Escassez: Como ouro e prata, o BTC é algo valioso pela sua escassez;
(III) Tecnologia computacional: Todos os processadores e computadores de alto valor usados na mineração também são incluídos para precificar a moeda, afinal, quanto mais difícil minerar, mais é exigido o avanço da tecnologia, ou seja, maior o preço do ativo;
(IV) Stock-to-flow (S2F): Criado por um entusiasta em Criptomoedas (PlanB), diz que como ouro, ou qualquer reserva de valor pode ser precificada com o S2F, que é a divisão do estoque de criptomoedas sobre a produção anual dela.
No gráfico abaixo podemos perceber os macros ciclos, com a cor azul escura para o início de cada Halving.
As cores esquentam e esfriam até o próximo Halving, ou seja, a próxima divisão da oferta cortada pela metade. Toda vez que isso acontece, tem-se um aumento do preço.
Ele sobe, depois corrige, esquentando de novo e se mantendo em tendencia de crescimento até o próximo Halving.
Observemos as semelhanças em seu padrão de comportamento na análise gráfica a seguir:

Comportamento do Preço do BTC
Pelo gráfico conseguimos ver os ciclos de grande valorização seguidos pelo ciclo de correção intenso do Mercado, este primeiro, de 84% do seu preço.
Na sequência temos um ano que precede o Halving, 2015, com uma valorização intensa da moeda, se estendendo até 2018, numa valorização de mais de 10.000% para depois uma correção do mercado de outros 84%.
As correções não são sempre iguais, mas são grandes indicadores e balizadores de ciclos.
Continuando a linha temporal do gráfico, o movimento de especulação do Mercado (que antecede o Halving de novo), fez o Mercado se aquecer, contudo nós tivemos a Pandemia COVID, encurtando este período de subida.
É importante evidenciarmos isso, para percebermos que os ciclos não são fixos, mas eles norteiam as previsões quando não temos um cisne negro como a pandemia, que trouxe uma queda do preço em 63%.

Claro, como vocês já sabem, logo depois tivemos uma alta histórica superior a 1.300% de valorização.

Então, momentos melhores de compra desse ativo estão relacionados à força que possuem no gráfico, uma vez que este rompa um suporte inferior, pode começar a consolidação de um suporte mais elevado, segurando o preço do ativo mais alto e por mais tempo.
No Grupo Capital utilizamos diferentes fontes de análise sobre esses ciclos de mercado para trazer insights que possam conter propostas promissoras e que tragam benefícios e avanços para os problemas do dia a dia.
 
Os rumores sobre a reserva de valor
Hoje o BTC tem muito potencial para se tornar uma reserva de valor, mas não está estabelecido assim ainda.
Trazendo mais dados, quando olhamos a escassez, o ouro possui uma reserva subterrânea de 50 mil toneladas, tendo 190 mil já mineradas – e o BTC terá 21 milhões de unidades disponíveis no ano de 2140.

Para ser uma reserva de valor, é necessário que a moeda seja negociável em mercado local e internacional – assim como o ouro, o BTC vem sendo aceito em mais lugares a cada dia. Também é uma característica não ser oxidável, ou seja, não se degradar com o passar do tempo. Já vimos que o BTC garante um registro inalterável também.

Talvez o grande marco hoje seja de fato o tempo, uma vez que o ouro já é utilizado a séculos e o BTC tem que continuar se provando por muito tempo – teoricamente, atravessando um século para ser considerado assim.

Além destes pontos, podemos listar: Portabilidade, Divisibilidade, Fungibilidade (pode ser substituída por outra nota, sem perder valor), Liquidez e Uniformidade (se este dinheiro é reconhecido nesta sociedade). Easy and Hard Money (dificuldade de produção do dinheiro) & Stock-to-flow Ratio (escassez sobre a capacidade de produção do dinheiro e o valor dele sem alterar a oferta) também.

Apesar de ser um tema frequentemente ouvido, é estimado que hoje, 1% da população mundial possua BTCs. Ainda estamos numa fase adoção inicial, e ela passa pelo ciclo como qualquer inovação disruptiva.


Com isso concluímos nossa explicação sobre esta rede revolucionária e esperamos que você tenha adquirido uma base melhor para entender se este tipo de ativo é coerente com a sua visão de mundo para o futuro. Quanto às suas finanças, converse com nossa equipe de especialistas para criar uma estratégia que potencialize seu Planejamento Financeiro.
 
Para finalizar, é possível verificar todos os registros de blocos e de transações feitas na rede Bitcoin em vários sites, como o blockchain.com/explorer
 
Grupo Capital: Somos a evolução do seu relacionamento com as Finanças.

Frederico M Kùmbs – CSO Chief Strategy Officer
Sergio K. Leão – Planejador Financeiro CFP® & Head de Investimentos
Daniel Valverde – CEO Chief Executive Officer

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