Seleção de ações e o movimento Sell-off

Tempo de leitura: 5 minutos

As crises nos mercados vêm e vão, são movimentos naturais de mudanças de preços. Algumas crises são duradouras, principalmente aquelas em que alguns países (ou mundo) mergulham em uma recessão profunda.

Mas existem crises que apresentam uma menor duração. Normalmente, o tempo de duração de uma crise depende principalmente do impacto econômico que o fator gerador traz consigo. Quando usamos o exemplo da pandemia de Covid-19, podemos observar que os fechamentos dos mercados, a nível mundial, impactaram diretamente na oferta e demanda, desde matéria-prima à bens de consumo. Dessa forma, houve uma forte deterioração dos fundamentos econômicos quando os países precisaram emitir dinheiro para atenuar o impacto da crise sobre a população, principalmente os que possuem menos recursos.

Como reflexo desses movimentos, era esperado (e concretizado) o movimento de aumento inflacionário e subida de taxas básicas de juros, como medida de contenção, o que, naturalmente, faz com que muitos investidores tendam a se afastar de mercados variáveis, buscando a segurança da Renda Fixa. Nesses momentos, costumamos ver uma queda considerável nas bolsas que não conseguem absorver o volume de vendas num pequeno prazo temporal.

É nesse momento que investidores mais experientes aproveitam para ir às compras e “encher o carrinho” com desconto. Vale o destaque que, não é porque uma ação cai que ela está mais barata. É essencial avaliar os indicadores e fundamentos da empresa antes de comprar. No exemplo anterior, da pandemia de Covid-19, muitas empresas mantiveram seus fundamentos e foram negociadas muito descontadas da realidade, enquanto outras, caíram deteriorando seus fundamentos.


 Fonte: Investing.com

Um dos maiores nomes do Mercado Financeiro mundial, Howard Marks, através de sua teoria de Ciclos Econômicos, trouxe uma visão clara do comportamento cíclico do mercado, e podemos fazer um paralelo ao comportamento humano, como o a seguir:

  1. No ponto aferido como Euphoria, temos um mercado em alta, com resultados esticados devido à um longo momento de crescimento e início de correção forte. Normalmente, nesses momentos, temos os investidores recém-chegados que, muitas vezes, seguindo “dicas quentes” entram de cabeça e se expõem a um risco elevado em seus investimentos. Após a correção, normalmente são os que dizem que “Bolsa de valores é cassino” ou “Só ganha dinheiro em bolsa quem tem muito dinheiro”.
  • Já nos pontos aferidos com Despondency e Depression temos o momento em que o mercado já passou por todo o caos e começa esboçar movimentos e indicadores de melhoria. É nesse momento, quanto tudo ainda está em queda, o melhor momento de investimento, ou seja, aquele que apresenta a maior oportunidade de ganhos.

Você deve estar se perguntando: Como eu posso identificar cada um desses estágios, certo?

Para responder, citaremos uma outra grande lenda do Mercado Financeiro global, chamado Peter Lynch, que em uma das suas frases mais icônicas disse:

“Time in the Market beats timing the market”

Em tradução livre, sua frase significa que estar exposto ao mercado sempre trará mais retorno do que adivinhar os melhores momentos do mercado.

Isso porque, é impossível adivinhar o futuro, sendo muito mais prudente manter nosso foco em coisas que podemos controlar, como por exemplo, aportar todos os meses, com consistência.

Uma vez que sabemos sobre a existência de correções ilógicas no mercado, entramos no cenário de seleção de ativos, e essa, deve ser feita com base em dados, fatos e resultados, não em “dicas quentes”, achismo ou ao acaso.

Para o cenário de quem prefere fazer compras diretamente dos seus ativos, precisa saber avaliar bem os indicadores econômicos e fundamentos das empresas em questão, e só aí partir para a aquisição. É nesse momento que entram as figuras de profissionais como Analistas de Valores Mobiliários e Consultores de Valores Mobiliários.

O trabalho dos Analistas de Valores Mobiliários é fazer essa avaliação e separar as oportunidades que julga melhor em relatórios que trazem informações gerais sobre a construção de carteiras de investimentos. Já o trabalho de Consultor de Valores Mobiliários parte desses dados e desenha uma carteira que faça sentido para você, ou seja, ajusta os ativos à sua realidade e objetivos, adequando as exposições, níveis de risco, prazos etc. Assim, você poderá se expor, com risco controlado, ao mercado de investimentos.

Ainda sim, estaremos expostos à um Big Sell-Off devido a algum ruído ou a algum evento não esperado, e nesses momentos, as distorções de preços aparecem com maior acentuação e muitas oportunidades surgem e se tornam mais claras para quem sabe como avaliar e está esperto ao impacto que poderá acontecer, ou seja, quem está mais preparado, já estudou e sabe o valor real dos ativos. No fim, essas oportunidades se concretizam conforme o tempo passa e todos percebem que ruídos trouxeram movimentações maiores do que deveriam. Quem tem mais estômago e paciência consegue aproveitar essas oportunidades, mantendo (ou alterando) suas posições e vendo os preços convergindo aos resultados apresentados pelas empresas investidas.

Concluindo, os ciclos de alta e baixa nos mercados são movimentos naturais e esperados, nos quais devemos tomar decisões de forma estratégica, com foco nos fundamentos e não no comportamento de manada. Lembre-se: O paciente com conhecimento médio sempre vai ganhar mais dinheiro do que o impaciente mais inteligente.

Frederico M Kùmbs – CSO Chief Strategy Officer
Sergio K. Leão – Planejador Financeiro CFP® & Head de Investimentos
Daniel Valverde – CEO Chief Executive Officer

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